• Dez
    • 08
    • 2012

«Vem aí a troika!»: o jogo que leva o país à falência

TVI 24 Online
2012-12-08

Garantem os criadores deste jogo de cartas que alguma semelhança com a realidade é «pura coincidência». Será mesmo?

E se tivesse, você mesmo, a oportunidade de levar o país à falência? Seja como uma vingança ou, simplesmente, para saber como se faz? Portugalândia: nesta «terra», a ideia é mesmo essa.

O jogo «Vem aí a troika!», à venda a partir desta segunda-feira, convida-nos a fazer essa experiência: «Estás farto de ficar a ver submarinos com o dinheiro dos teus impostos? Farto de ver o nosso dinheirinho a ir para a conta dos primos e dos amigos do peito?Chegou a tua vez! Agora também tu podes levar o país à falência».

Um jogo em jeito de «sátira», conforme explicou à Agência Financeira Carlos Mesquita, da Tabletip Games, uma editora de jogos de mesa portuguesa, criada este ano.

A conjuntura foi um grande empurrão para esta estreia: «A ideia surgiu à volta de uma mesa de jogo, como não podia deixar de ser. O momento político e a sequência de eventos levou-nos a querer satirizar a situação, como forma de conseguir atrair a atenção, usando o lado lúdico para chamar a atenção para o lado sério da questão».

Ora, mas porquê apostar na habilidade para levar um país à falência, provocar a vinda da troika e deixar a fatura para os outros pagarem e não o contrário, isto é, tentar salvar o país, evitando a entrada de FMI & companhia? «A componente didática e séria do jogo é passada com humor, pelo menos é isso que esperamos. Que as pessoas joguem, se divirtam, mas também, ao jogar na Portugalândia, que reflitam sobre a situação do seu próprio país e o que levou a ela». O jogo subverte a lógica. Propositadamente.

E vai mais longe, querendo aquecer o debate à medida que o jogo avança, uma vez que «os grupos representados são muitas vezes caricaturados, mas é mesmo essa a ideia – muitas vezes provocar, para que haja polémica e discussão». O jogo de tabuleiro é apenas o ponto de partida para a reflexão à mesa.

Vamos, então, jogar: há 42 cartas de grupos de influência, 8 cartas de líder (cada pessoa fica com uma), 16 cartas de evento, 24 cartas de dinheiro, 12 cartas de títulos de depósito.

«Cada jogador manobra a sua rede de influências para ganhar poder, eleições e extrair dinheiro dos grupos que controla. Ganha o jogo quem conseguir juntar mais poder (nos grupos que controla), ganhar eleições (e logo ser Governo) e dinheiro em títulos Offshore», esclareceu Carlos Mesquita.

Para além do inevitável «Banco da Portugalândia», existem bancos «mais ou menos honestos» e não podia faltar o «Banco para Negociatas» (BPN). Há a carta dos (dis)funcionários públicos e a dos agricultores subsidiados. Também há uma dedicada aos clubes de futebol.

A carta «A Dama de Ferro» lembra Manuela Ferreira Leite; «O Engenheiro», José Sócrates. E por aí fora.

O objetivo é então – e antes que a troika chegue – ganhar eleições, estabelecer uma rede de influências e, claro, levar o dinheiro para paraísos fiscais. Alguma semelhança com a realidade? «Pura coincidência», diz o vídeo promocional.

Depois de «muitas horas de trabalho» ao longo de mais de um ano, num investimento que, no total, deverá ultrapassar os 10 000 euros, eis que o «Vem aí a troika» veio mesmo. Está à venda no El Corte Inglés, Fnac e no site jogonamesa.pt, por 18,90 euros.

Na manga, está já um novo jogo – «Apertem os cintos: a Troika já chegou!». A Tabletips Games levanta o véu: «Só podemos dizer que depois da vinda da Troika, as regras são outras». O segredo é a alma de qualquer negócio.

 

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